Colheita Mecanizada da Cana

Procedimentos para evitar o pisoteio de máquinas e veículos nas linhas da cana


Diretriz básica

Ser possível colher cana com máquina já no primeiro corte, mas sem ter o pisoteio na linha da cana e também não ter menor produtividade agrícola no ciclo que aquelas obtidas nos espaçamentos da sulcação usuais para o plantio, que são de aproximadamente 150 cm.

Conteúdo

1          Introdução e Considerações                                                              
2          Estratégias para ter boa colheita mecanizada                                   
3          Preparo do terreno e do solo                                                             
4          Plantio                                                                                                
5          Variedades de cana                                                                          
6          Colmos eretos                                                                                    
7          Tratos culturais                                                                                  
8          Colheita da cana                                                                                
9          Exceção à regra                                                                                
10       Alguns estudos para definição                                                           
11       Uma proposta de Cana Integral Com Uso Múltiplo                               
12       Fundamentos do projeto                                                                   
13       Resumo da proposta do projeto                                                        
14       Conclusão                                                                                          

Introdução e Considerações

A prática da colheita mecanizada da cana seja ela queimada ou crua, implica em seguir certas regras e normas de procedimentos, para permitirem que todo trabalho seja realizado da forma ideal e que se obtenha todos os benefícios que o sistema de colheita proporciona. Deve também contemplar a possibilidade de que não ocorrerá nenhum evento negativo significativo, que venha ser restritivo para o sistema de colheita. Isto quer dizer que se algum fato indesejável vier ocorrer, deverá ser de efeito negativo menor que os benefícios adicionais que o sistema proposto proporciona, ou que o novo problema criado será solucionado em etapas seguintes, sem prejudicar ou agravar o processo como um todo.

Para colher cana crua faz-se necessário que a colheita seja mecanizada, pois, é altíssimo o custo da mão de obra para a colheita manual sem queimar a palha. Para que a colheita mecanizada seja um sucesso, é importante que a operação de colheita seja realizada sem que ocorram problemas que venham resultar em diminuição da produtividade agrícola. Considera-se que os maiores problemas que estão acontecendo atualmente são o pisoteio na linha de cana tanto na colheita manual como na mecanizada, e seus efeitos nas perdas usuais da produtividade de cana no processo da colheita mecanizada conforme mostram as fotos a seguir.




Pisoteio da colheita manual na linha da cana mesmo sendo o espaçamento de 180 cm



Pisoteio na colheita manual com afundamento na linha e entrelinha da cana sendo o espaçamento de 150 cm



Afundamento das rodagens na entrelinha em colheita manual e espaçamento de 150 cm



Afundamento na entrelinha e pisoteio na linha da cana em colheita manual no espaçamento de 150 cm



Marcas do trânsito sem disciplina em colheita manual no espaçamento de 180 cm



Marcas do trânsito disciplinado na entrelinha da cana em colheita manual no espaçamento de 180 cm



Brotação raquítica da soqueira causada pelo pisoteio em colheita manual no espaçamento de 150 cm



Pisoteio na linha e entrelinha da cana pelo trator e transbordo no espaçamento de 150 cm (colheita mecanizada de cana queimada)



Marcas das rodagens do caminhão transbordo da colheita mecanizada, sendo o espaçamento
das entrelinhas de 150 cm, com pisoteio em algumas linhas da cana (Os objetos estão na posição que marcam as linhas das touceiras da cana)




Brotação desuniforme da soqueira onde o tráfego foi desordenado no espaçamento
de 150 cm (colheita mecanizada) sendo o mesmo talhão da foto anterior



Brotação raquítica na linha onde houve o pisoteio da colheita mecanizada, no
espaçamento de 150 cm, mesmo sendo transbordo com pneu de alta flutuação



Os pontos brancos indicam os tocos de cana que não foram amassados pelo pisoteio na colheita mecanizada



Canas tombadas nas linhas esquerdas das linhas duplas, onde houve o pisoteio na safra anterior com colheita manual


É de máxima importância que o operador da colhedeira de cana tenha alguma referência visual, para poder posicionar a máquina durante o trabalho da colheita, de tal forma que a linha da cana fique centralizada o máximo possível na frente dos discos de corte dos pés da cana, pois se ficar de lado vai sobrar toco alto. O toco fica alto porque o colmo é cortado de lado do disco do corte de base, com a ação das facas de lado quando já estão altas, pois os discos trabalham em posição inclinada. Se o corte ocorrer rente ao solo a cana cortada ficará com terra, que é puxada pelas facas do corte de base que têm que cortar abaixo da superfície do terreno.

 



Em cana acamada de alta produtividade agrícola as folhas das pontas dos colmos impedem
a boa visão do operador da colhedeira



Variedades com característica genética diferente quanto ao acamamento
natural dos colmos em parcelas de experimentos de competição



Tocos de cana com diferentes alturas, cortados de lado do disco do corte de base da colhedeira

Também o operador do transbordo necessita de algumas referências para poder transitar nas entrelinhas da cana e saber onde está a linha da soqueira que não poderá ser pisoteada, principalmente quando há o colchão de palha sobre ela quando é cana crua. Para poder existir estas referências, as medidas dos eixos dos espaçamentos da sulcação devem ser de aproximadamente 190 cm, pois as bitolas das colhedeiras são de aproximadamente 190 cm e as bitolas rodoviárias também são de medidas semelhantes.


Trânsito na colheita mecanizada com pisoteio geral na linha e entre linha da cana,
porque são diferentes as medidas do espaçamento das linhas da cana e a bitola do equipamento

A opção pelo maior espaçamento do eixo da sulcação está embasada nos dados avaliados de mais de 150 experimentos do Brasil e de outros países produtores de cana. A avaliação destes experimentos indicou que a produtividade agrícola obtida em plantio com sulco base larga ou com linha dupla, não resultou em redução da produtividade agrícola na maioria deles, comparando-se com o espaçamento convencional de 150 cm entre linhas simples.

Há a necessidade de alterar o espaçamento da sulcação para o plantio da cana, porque na medida convencional de aproximadamente 150 cm, é impossível colher mecanicamente sem que aconteça o pisoteio sobre/ou muito próximo da linha da soqueira, ao se usar as colhedeiras e os transbordos existentes no mercado brasileiro. Para ser possível aumentar o eixo de espaçamento da sulcação para 190 cm sem que haja redução na produtividade agrícola, deve ser com sulco duplo, sendo, portanto, uma combinação de sulcos com espaçamentos reduzidos com relação ao convencional de aproximadamente150 cm. As fotos a seguir mostram a situação de pisoteio nas áreas de cana onde é praticada a colheita manual nos moldes usuais.

 



Trânsito desordenado do trator e do transbordo com bitola larga e cabeçalho fora
do centro sendo o espaçamento de 150 cm entrelinhas

 



Superfície do terreno onde houve trânsito em área total na colheita mecanizada de cana crua

Linha dupla esquerda sem pisoteio com melhor brotação da soqueira

 

Linha dupla direita com pisoteio e com pior brotação da soqueira





Rodagem da colhedeira com bitola de 183 cm em espaçamento de 150 cm entre as
linhas da cana (a esteira passa ao lado da touceira das canas não cortadas)



Marca no solo deixada pela rodagem da colhedeira ao lado da linha de cana ainda não colhida no espaçamento de 150 cm


A combinação de colheita mecanizada com a cana crua e os espaçamentos com medidas compatíveis com os implementos da colheita, permitem que se estabeleça um sistema de agricultura onde o solo não mais será revolvido em área total nem para as renovações de plantios posteriores do canavial. Esta fase é crítica no sistema convencional, pois, é quando pode haver problemas com erosões no terreno se ocorrerem chuvas de alta precipitação. A cobertura vegetal formada pela palha da cana proporciona total proteção do solo às chuvas mais intensas. Antes da sulcação é feita uma subsolagem na entrelinha para que também nesta faixa ocorra boa infiltração da água da chuva. Esta subsolagem pode ser feita nas entrelinhas também após algumas colheitas com o mesmo objetivo, que é eliminar a compactação formada pelas rodagens dos equipamentos.

 



Talvez esta seja a primeira grande área de cana no Brasil com definição de
trânsito disciplinado (Usina Volta Grande - MG). Espaçamento da sulcação de 170 cm
com base larga e bitola do transbordo DMB com 178 cm - Plantio em 1998 e colheita em 1999

 

Estratégias para ter boa colheita mecanizada

Dentre as estratégias a serem usadas para ter uma boa colheita mecanizada, as referências visuais aos operadores para o trânsito com os equipamentos serão de vital importância para disciplinar o trânsito e evitar o pisoteio na faixa das touceiras da cana que foi cortada.


 
Talvez esta seja a primeira colhedeira no mundo canavieiro sem o extrator secundário em elevador
alongado (Usina Colorado – Guaíra, SP). Espaçamento da sulcação
com 180 cm em base larga e bitola do transbordo com 168 cm

 

Referências para o operador da colhedeira

As referências para o operador da colhedeira se orientar, para que as canas a serem cortadas fiquem no centro da máquina e que o corte de base tenha uma boa ação, são:

A. Em cana acamada:

  • A marca da rodagem da própria colhedeira no meio da entrelinha maior, deixada pela rodagem da própria colhedeira; com o afundamento no solo
  • Os pés dos colmos da linha seguinte, quando estão acamados e caídos para o lado contrário à área colhida;



Pés dos colmos da cana acamados de lado da linha das canas

  • A leira de terra em formato de patamar na linha da soqueira, que é feita com o cultivo antes da primeira colheita mecanizada, ou feita pelo próprio corte de base da colhedeira, além da leira formada por ocasião da colheita anterior. Também pode ser feita com torta de filtro distribuída sobre a soqueira, ou pelo cultivo, ambos conjuntamente à colheita em seguida ao corte pela colhedeira antes de passar o veículo do transporte da cana picada;



Leira de terra formada pelo corte de base da colhedeira. Os objetos indicam a diferença de nível do terreno na linha e na entrelinha



Leira de terra na linha da cana formada pelos discos do corte de base da colhedeira



Cultivo para marcar as entrelinhas onde a colhedeira e o transbordo irão transitar



Trânsito da colhedeira e do transbordo na entrelinha marcada pelo cultivador



Leira de terra na linha da cana formada nos cortes anteriores (Suazilândia - África)

  • O toco alto da cana que já foi cortada, se caso houver;
  • Outras referências que forem possíveis para servirem de orientação.

B. Em cana ereta:

  • As mesmas referências que as de cana acamada, e mais;
  • As canas eretas já despontadas na linha que está sendo colhida, que ficarão dos dois lados do suporte do implemento da colhedeira que faz o desponte da cana. Normalmente em cana acamada de alta produtividade agrícola o operador perde toda orientação visual, porque a frente da cabine fica toda tampada com as folhas das canas.



Suporte do despontador da colhedeira passando no meio das canas já despontadas

Referências para o operador do transbordo.

É importante que o operador do veículo transbordo tenha alguma referência para se orientar no trânsito dentro do talhão, para que não trafegue sobre a faixa da linha das soqueiras e se mantenha em distância constante da colhedeira. Algumas destas referências podem ser consideradas como Guias para Proteção da Soqueira (GPS), que são:

  • A leira de terra na linha da cana formada pelos discos do corte de base, ou as elevações na linha da cana formada em seguida ao corte, citadas como referências também para o operador da colhedeira;
  • A depressão no terreno deixada pela rodagem da colhedeira e de uma passada do transbordo na entrelinha das soqueiras, com ou sem o colchão de palha. Também a elevação em forma de patamar na superfície do terreno, com ou sem a palha na faixa das touceiras, além da depressão e da leira formadas na colheita anterior

Procedendo desta forma, o tráfego será totalmente no meio da entrelinha maior, com faixa estreita de pisoteio. Conseqüentemente a isto, a faixa não compactada para exploração do sistema radicular da cana será mais larga que a compactada. Também o tráfego dos equipamentos para realizar os tratos culturais irá ocorrer na mesma faixa em que houve o pisoteio na colheita.


 
Trânsito na entrelinha no cultivo, com as leiras de terra nas linhas da cana soca (Austrália)

É importante lembrar, que os benefícios ou vantagens do espaçamento da sulcação com eixo de 190 cm são tantos, que justificam a procura da solução de algumas dificuldades que podem ocorrer nas diversas fases dos trabalhos, neste processo inicial de definição dos procedimentos.

Maiores vantagens

São diversas as vantagens que este sistema de colheita da cana apresenta:

  • Permite que todo o tráfego ocorra distante da linha das touceiras da cana, sempre nos mesmos locais onde o solo precisará ficar compactado. Sendo assim, a faixa de solo sem compactação a ser explorada pela cana será mais larga que a compactada. Na faixa da linha das touceiras da cana ficará uma leira em formato de patamar.
  • Por ser linha dupla as canas são cortadas na frente do disco do corte de base, portanto não há o abalo da soqueira. Tal fato acontece porque as facas do corte de base cortam as canas na superfície do terreno, ou até dentro de um sulco raso. Sendo assim, não será necessário que se faça o nivelamento total do terreno.
  • Em conseqüência de não haver o pisoteio na linha da cana, não irá mais acontecer o acamamento dos colmos que normalmente acontece quando a soqueira ficar superficial, quando há o afundamento do terreno como conseqüência do pisoteio. Além do problema do acamamento, ainda tem o fato de ser mais fácil haver o arranquio das touceiras pela colhedeira quando estas estão superficiais, devido ao pisoteio sobre elas no sistema convencional.
  • Considerando-se que todo o tráfego ocorrerá no meio da entrelinha maior, passando todas as rodagens nos mesmos locais, as próprias rodagens irão afundar o terreno no meio da entrelinha se o solo não estiver muito compactado ou seco. Portanto, irá se formar naturalmente a leira de terra em formato de patamar na linha das touceiras, que será o guia para o tráfego na entrelinha maior.



Vista ideal após a colheita mecanizada com faixa larga em forma de patamar sem pisoteio
na linha da cana, sendo que o trânsito ocorreu exatamente nas entrelinhas da cana



Faixa muito larga onde houve o pisoteio na entrelinha da cana e faixa
muito estreita sem pisoteio na linha da cana. (Espaçamento da sulcação de 150 cm e bitola do transbordo de 180 cm).

No sistema convencional em que a faixa compactada do terreno é muito larga em relação à não compactada, como se nota na foto anterior, há a necessidade de fazer o cultivo na entrelinha para promover a descompactação do terreno e favorecer a infiltração da água da chuva.



A leira de terra na linha das touceiras da cana é o Guia para Proteção da Soqueira (GPS)



Dois níveis formados pelo afundamento na superfície do terreno deixados pelas rodagens da
colhedeira e do transbordo, durante a colheita mecanizada sem que houvesse a leira de terra antes da colheita

  • Sendo o tráfego da colheita totalmente na entrelinha das soqueiras, será possível realizar os trabalhos em condição de maior umidade do solo.
  • Nos espaçamentos duplos com medidas próximas de 130 cm x 60 cm, a produtividade agrícola será maior que nos espaçamentos semelhantes a 150 cm de linha simples;
  • A entrelinha de aproximadamente 130 cm entre os sulcos duplos é o melhor espaçamento para a passagem das rodagens das colhedeiras existentes atualmente;
  • A entrelinha de aproximadamente 60 cm no sulco duplo permite que as canas das 2 linhas fiquem na frente dos discos do corte de base da colhedeira. Nos primeiros cortes ainda poderá colher com as colhedeiras comuns que não têm a frente aberta, pois a faixa de cana ainda não é muito larga, o que não acontecerá quando é soqueira de vários cortes que tem muitos perfilhos lateralmente à touceira. Neste caso terá de colher com as máquinas de modelos novos que têm a frente (garganta) mais aberta por onde passam as canas;
  • A colheita de linha dupla de colmos fará com que todo o percurso dentro do talhão seja menor, portanto os custos das operações moto-mecanizadas também serão menores.
  • Havendo o sulco na entrelinha da cana, o tráfego será direcionado com distância constante entre o transbordo e o elevador da colhedeira. Quando não há o guia para orientar o tráfego, o transbordo bate no elevador e amassa tanto o elevador como a caixa do próprio transbordo. Quando o transbordo fica distante do elevador os toletes caem fora da caixa.
  • A colheita conjunta de 2 linhas de cana faz com que maior quantidade de colmos passe pela máquina, portanto naturalmente irá sobrecarregar o sistema de limpeza da palha. Sendo assim, faz-se necessário que a máquina colha em menor velocidade, para ter o volume de cana ideal para a boa ação do extrator primário. A menor velocidade irá beneficiar a ação do corte de base, para que a velocidade de deslocamento da máquina não seja maior que aquela correspondente à boa ação das facas do corte de base. Em condição de campo verifica-se que as colhedeiras em alta velocidade deitam as canas para frente, antes da ação do corte de base e resulta em ficar toco alto além de abalar a soqueira. A colheita mecanizada de cana crua, através do efeito do colchão de palha na superfície do terreno que mantém a umidade no solo, irá favorecer a infiltração da água e da vinhaça nos solos argilosos em terreno inclinado, principalmente os solos podzolizados, que tem limitações para a infiltração. A palha também irá favorecer a retenção da umidade do solo na seca.



Colheita da linha dupla de cana

  • Adotando-se este sistema, será possível carregar a cana picada diretamente da colhedeira para a carroceria do transporte para a usina, pois a altura da caixa até o solo não precisa ser maior que 360 cm



Caminhão de carroceria baixa posicionado para o espaçamento dos sulcos de 190 cm

  • O tráfego concentrado na entrelinha permite renovar o canavial também com o plantio direto da soja ou outra cultura, e a posterior sulcação na mesma faixa da linha das soqueiras que foram mortas com produtos químicos no sistema de preparo mínimo, além do que favorece o plantio no sistema MEIOSI (Método Inter-Ocupacional Simultâneo) para manter o paralelismo da sulcação.

 



Área colhida sem pisoteio em espaçamento da sulcação de 180 cm com elevador alongado



Plantio direto da soja em área de renovação com a palha da cana colhida crua



Soja adulta na área do plantio direto na palha da cana

Preparo do terreno e do solo

Carreadores: O ideal é que a superfície dos carreadores esteja no nível pouco acima ao dos talhões, mas sem formar degrau, para que a água da chuva naturalmente escorra para dentro da área com cana.

Talhões: Os talhões de cana devem ter, quando possível, o formato retangular, com os sulcos no sentido do maior comprimento do talhão.Para ter talhão grande, precisa ser colheita de cana crua para poder trabalhar com uma máquina por talhão. Se for cana queimada, precisará fazer as aberturas ou aceiros no talhão, para o trabalho de mais de uma máquina para poder colher rapidamente e, neste local muita cana ficará amassada e suja de terra.



Canas amassadas do aceiro em cana queimada aberto pela colhedeira
em talhão com mais de um terraço, ou que é muito grande

Sistematização: Quando houver erosões na superfície do terreno devem se eliminadas, o mesmo acontecendo com as depressões e as elevações de curta distância, e mais as ondulações dos terraços antigos, pois não deve haver terraços passantes.

 

Colheita mecanizada em área com terraço passante (o transbordo fica distante do elevador)



 Colheita mecanizada em área com terraço passante (o transbordo encosta no elevador)

Correção química: Fazer a correção química do solo na maior profundidade e da forma mais homogênea possível.
Obstáculos: Quando for possível, deve erradicar as árvores vivas e mortas da área a ser plantada com cana. Sempre que for possível os carreadores devem ser locados ao lado das árvores existentes, e os galhos de baixo devem ser retirados para facilitar a passagem das máquinas e veículos. Também não deve existir na área de cana as pedras, metais e os restos de antigas árvores. Em todos os cortes de cana deve-se combater o cupim de murundúm, para evitar que sejam recolhidos pela colhedeira ou que fiquem na faixa onde passam as rodagens dos equipamentos da colheita. Também devem ser eliminados os sauveiros de montículos.
Quanto às árvores será necessário haver um entendimento com os órgãos de proteção florestal e os ambientalistas, para que liberem e oficializem a autorização para retirada das mesmas, quando estão localizadas nos talhões de cana em áreas agricultáveis mecanicamente. Elas devem ser repostas com plantios de forma racional, de preferência em locais que não são apropriados para o cultivo da cana ou outras culturas.
A presença desses obstáculos determina a diminuição do rendimento dos equipamentos, além de exigir maior atenção dos operadores ao trafegarem no canavial, pois, apesar de se ter todos os cuidados, sempre haverá o risco de ocorrer danos nos equipamentos se os obstáculos não forem erradicados.



Planta de grande porte que deve ser erradicada em área de colheita mecanizada



 Árvore que deve ficar ao lado do carreador em área ideal para a colheita moto-mecanizada



 Bloco de pedra na linha da cana em área de colheita mecanizada em vários cortes



 Limpeza de pedras, raízes e tocos pequenos em área para colheita mecanizada (Austrália)



 Peça do rastelo de palha “pescada” pela biqueira do divisor de linha da colhedeira

Terraceamento, sulcação e escarificação do terreno: Para a moto-mecanização é importante que o talhão não tenha mais do que um terraço em nível e que este não seja muito alto para não prejudicar as operações motomecanizadas. Nos terrenos muito inclinados deve-se fazer também, somente um terraço de segurança em nível no meio do talhão, que neste caso será estreito, para que não ocorram erosões, inclusive a laminar. Se o plantio da cana irá ocorrer no período de pouca chuva, a sulcação poderá ser em sentido reto se o terreno for pouco inclinado, portanto não terá terraço. Nos terrenos planos não inclinados, o plantio será feito com sulcação reta em qualquer época do ano. Sempre que possível, o ideal é que a sulcação seja reta, pois para ter a composição rodoviária de transbordagem com duas ou mais carretas, os sulcos precisam não ter curvas fechadas, para evitar que as rodagens saiam do trilho na entrelinha das linhas duplas da cana. É de fundamental importância que nestas situações de risco sempre tenha o colchão de palha na superfície do terreno para a proteção das águas das chuvas. Vale lembrar que se deve evitar ao máximo a entrada de água de chuva originária de fora dos talhões de cana, principalmente de fora da propriedade.



 Sulcação reta em terreno com declive e ondulações



Soqueira de cana em terreno em declive com linhas retas onde houve erosão porque colheu cana queimada



Soqueira em terreno com declive e a sulcação reta “morro abaixo”.
O colchão de palha na superfície do terreno é o protetor para as chuvas intensas (Austrália)



Mesmo local da foto anterior indicando o sentido da sulcação reta “morro abaixo” (Austrália)



 Erosão laminar por água de chuva de origem externa em área com o colchão de palha...



 ... sendo que, nem o terraço conteve a água da chuva que se acumulou pela erosão laminar



Erosões laminar pela água que escorreu da rodovia (origem externa)



Área em frente e na mesma propriedade da foto anterior, mas, que não recebeu água externa

Obs.: Nos terrenos muito inclinados o ideal é que o plantio da cana seja feito de junho a outubro no centro sul do Brasil, após a primeira chuva que permita igualar a umidade do solo ou com irrigação.
O plantio nesta época permite a sulcação em linha reta ou com somente um terraço. Quando iniciarem as chuvas mais intensas o canavial já terá boa cobertura vegetal. Nas outras regiões deve-se plantar na época de pouca chuva. Quanto maior a possibilidade de haver erosão, maiores são as exigências de ter o terraço, sulcar em nível e ter restos de vegetais na superfície do terreno. A colheita de cana crua desde o primeiro corte permitirá ter o colchão de palha na superfície do terreno, que irá facilitar a infiltração da água das chuvas intensas, desde que a compactação não seja em área quase total.

Descompactação: Fazer a descompactação total e homogênea do solo antes do plantio da cana, para garantir que na linha da cana as raízes não encontrem impedimento para o bom crescimento. A descompactação do terreno também irá favorecer a infiltração da água da chuva.

Escarificação do terreno na soqueira: Sempre que for detectada a compactação intensa do terreno nas soqueiras, deve-se realizar a escarificação para facilitar a infiltração da água das chuvas mesmo as mais intensas.

Plantio

Marcação da sulcação: O ideal para manter o paralelismo das linhas da cana, é que o espaçamento da sulcação seja marcado antes de sulcar, usando um trator independente e que na mesma operação seja feita a subsolagem final na faixa onde irá passar o sulcador. É de suma importância que o espaçamento e o paralelismo sejam exatamente constantes, para que as operações motomecanizadas não compactem o terreno na faixa das linhas das touceiras da cana. É importante que na primeira marcação a operação seja homogênea, porque servirá de orientação também para os plantios seguintes, ao se fazer o plantio direto de culturas de rotação e da própria cana. A sulcação para todos os plantios de cana serão sempre nos mesmos locais.



Marcação independente do espaçamento da sulcação para manter o paralelismo constante



Sistematização final: Onde o terreno não tem restos de cultura ou ervas daninhas na superfície, o ideal é colocar uma plaina no meio do trator da marcação do espaçamento ou da própria sulcação. A plaina é colocada entre os eixos do trator, para eliminar no sentido da sulcação, as elevações e as depressões de curta distância que existam no terreno. Outra opção para fazer este nivelamento é passar a plaina de arrasto, antes do trator que marcará o espaçamento para a sulcação, no mesmo sentido da faixa onde ficarão os sulcos, sendo que estas duas operações são realizadas em conjunto.



Plaina no trator para nivelar o terreno antes da marcação do espaçamento da sulcação



 Plaina de arrasto para nivelar o terreno antes da marcação do espaçamento da sulcação



Sulcação: O sulco para o plantio da cana não deve ser raso, para evitar que os colmos da touceira da cana acamem com facilidade, mas também não precisa ser muito fundo, pois ao se fazer a leira de terra na linha da cana o sistema radicular ficará mais profundo. A profundidade dos sulcos deve variar de 15 a 25 cm.
Usar sulcador e cobridor para sulco duplo modelo CAMPOFÉRTIL-DMB.
O implemento sulcador deve ter a frente parabólica e a ponta alada, para também fazer a subsolagem profunda, se não houve a subsolagem por ocasião da marcação do espaçamento e do paralelismo dos sulcos. Deve-se fazer a descompactação total do solo, para garantir que na linha da cana as raízes na encontrem impedimento para o seu bom crescimento. Quando no terreno há material vegetal, deve ser colocado um disco na frente da haste do sulcador para cortar a palha.
Sulcar em nível nos terrenos plano-inclinados quando a decisão é sulcar em nível, podendo ter um terraço embutido baixo por talhão, que também servirá de nivelada básica para iniciar a sulcação. A sulcação é reta onde o terreno for plano, ou quando possível pela época do plantio também nos terrenos inclinados. Se anteriormente houve colheita de cana crua e no preparo do solo a palha foi incorporada, há mais possibilidade de sulcar reto ou em nível sem terraço, pois, a palha é um ótimo protetor do solo com relação da água da chuva. O mesmo acontece com a cobertura vegetal formada pelos adubos verdes plantados na fase de renovação do canavial. O sulco em nível é um mini terraço.



Os sulcos em nível são mini-terraços



Plantio com sulcação “morro abaixo” no solo com palha misturada no preparo (Austrália)



Sulcação direta em área com crotalária com sulcador de base larga

Quando é área com canal para irrigação, a sulcação inicia-se paralela ao canal nos talhões de ambos os lados do mesmo, deixando-se o carreador no lado de cima do canal. Haverá alternância de carreadores em nível com e sem canal ao lado, e neste caso os sulcos curtos ficam nos dois lados do carreador sem ter canal ao lado. A largura dos talhões é em função do comprimento da tubulação para distribuir a vinhaça que liga o aspersor à moto-bomba.

Espaçamento: O eixo do espaçamento da sulcação é de 190 cm, combinando os espaçamentos reduzidos de 130 cm na entrelinha maior e 60 cm na linha dupla.



Sulcador para linha dupla (protótipo)

      
Linha simples de cana                 Linha dupla de cana (60 cm)



Linhas duplas da cana soca

Distribuição da muda: No plantio manual a muda da cana é distribuída em cada lado do sulco duplo, formando 2 canas, cruzando pé com ponta ao lado e no meio da outra cana, no sistema “acorrentado”.

Adubação: As dosagens dos adubos químicos ou orgânicos por hectare no plantio, são as mesmas que as usadas no espaçamento normal de aproximadamente 150 cm em linha simples.

Plantio com torta de filtro, com a mistura com a fuligem ou a compostagem: Fazer sulco simples mais estreito que o convencional, espaçados de 190 cm, e distribuir o adubo orgânico com carreta transitando sobre o sulco. Se o sulco for largo e os pneus da carreta transitarem dentro do sulco, deve-se colocar na traseira da carreta que faz a distribuição um equipamento escarificador especial, para escarificar no fundo do sulco e eliminar o adensamento formado pelos pneus da carreta distribuidora do composto orgânico. Na sulcação para o plantio da cana a torta de filtro ficará no meio dos sulcos duplos e enterrados em profundidade.

Plantio somente com adubo mineral: Usar o sulcador para sulco duplo modelo CAMPOFÉRTIL-DMB.

Cobertura dos toletes no plantio manual: A cobertura dos toletes será com o trator na bitola de 190 cm transitando dentro do sulco. Os pneus traseiros do trator são estreitos e lisos para não amassar as gemas e/ou os toletes. O implemento cobridor CAMPOFÉRTIL-DMB fica “fora de centro” em relação ao trator, para poder cobrir as linhas duplas. O implemento do cobridor tem os pneus de apoio no terreno que passam sobre os toletes, e também o batedor adaptado nos braços que sustentam os discos da cobertura, que limitam a altura de trabalho dos mesmos. A aplicação do herbicida poderá ser feita na mesma operação da cobertura para facilitar o trânsito do trator, pois haverá pouco espaço na entrelinha de 130 cm, para a passagem dos pneus da aplicação convencional se a sulcação for funda.

Variedades de cana

O ideal é que as variedades de cana sejam de porte ereto por característica genética, e que somente acamem com a ação de vento forte, e/ou, que não apresentem facilidade para o arranquio do sistema radicular quando tombam ou acamam.

Relação de algumas variedades de porte ereto ou parcialmente eretos, que já existem distribuídas para o plantio por época de maturação:


Precoce

Mediana

Tardia

RB 85-5035

SP 79-2233

SP 77-5181

RB 85-5453

SP 80-185

SP 89-1117

SP 77-5181

SP 86-42

SP 90-3414

SP 86-155

SP 87-560

VAT 90-212

RB 93-5907

SP 89-1117

 

 

SP 90-3414

 

 

SP 91-1010

 

Obs.: Estão sendo citadas na relação acima, algumas variedades de cana que podem não ser de alta produtividade agrícola no seguimento de cana queimada, mas que ao serem colhidas como cana crua e sem o pisoteio na linha da cana, a produtividade agrícola passará a ser alta em relação às demais variedades de alta produtividade, mas que não permitem serem colhidas sem a despalha a fogo, por acamarem muito e portanto inviabilizam a boa colheita mecanizada sem ter queimado a palha.

É importante citar, que estando os colmos acamados é grande a quantidade de cana perdida na colheita, o que não acontece em cana ereta. Não se deve esquecer também, que todas as culturas passaram a produzir menos em função das perdas na colheita, depois que esta passou a ser realizada mecanicamente, e o mesmo poderá ocorrer com a cultura da cana.

Relação de algumas variedades que não têm acamamento natural, mas que acamam somente com vento forte ou com altíssima produtividade agrícola


Precoce

Mediana

Tardia

RB 83-5054

RB 84-5257

RB 72-454

SP 89-1115

RB 86-7515

RB 85-5536

 

IAC 86-3396

RB 86-7515

 

SP 791011

 

As melhores variedades para a colheita mecanizada, mas que acamam para um único lado com a ação do vento forte são aquelas que formam curva no pé, o que favorece a ação da biqueira da colhedeira que tem a função de levantar os colmos.

Colmos eretos

A melhor condição para a colheita mecanizada de cana crua é quando os colmos estão eretos, pois permite que haja a retirada da ponta da cana, e para que o operador da colhedeira tenha boa orientação para colocar as linhas duplas no meio da máquina. Para que se tenham colmos eretos, deve-se adotar alguns procedimentos citados a seguir:
- Plantar variedades de cana com a característica genética de porte ereto, e que somente acamem com a ação de vento forte. Algumas das variedades que apresentam esta característica genética têm menor produtividade agrícola que aquelas que têm acamamento natural dos colmos. Pelo fato de estarem eretos, permitirão que ocorram vantagens que as façam serem superiores às demais, mas que acamam. Algumas destas vantagens são:
            * permite o aproveitamento da ponta da cana para a alimentação de animais (Proposta de Cana Integral para Uso Múltiplo).
            * permite que a ponta da cana e as folhas, que tem baixo teor de sacarose, não sejam levadas para a usina. Não haverá o custo do transporte e não irão prejudicar o processo industrial.
            * será menor a quantidade de terra no meio dos toletes que são levados para o processo industrial.
            * a fibra somente do bagaço é de ótima qualidade para os processos industriais.
            * haverá somente palha seca e com pouca terra para ser queimada na caldeira.
            * poderá haver a opção do toco alto para orientar o transito na colheita.
            * na operação de colheita do toco é possível fazer a aplicação de herbicida e fertilizante.
            * não haverá o pisoteio na faixa das linhas de cana.
            * por ser plantio em linha dupla a produtividade agrícola já será maior que o de linha simples.
- Plantar variedades que não apresentem facilidade para o arranquio do sistema radicular quando tombam ou acamam.

Para ter colmos eretos deve haver alguns procedimentos de manejo dos trabalhos agrícolas, ou sejam:
- o básico é não plantar variedades que apresentam acamamento dos colmos naturalmente sem vento.
- adotar manejos para evitar situações de cana muito desenvolvida, que podem ser a época de plantio, a época da colheita e aproveitando a textura e a umidade natural do solo. Quanto mais tempo a cana tem para crescer, mais fácil será o acamamento, portanto o canavial colhido no início da safra tem a tendência de acamar mais que a de final de safra. Em solo arenoso é natural a cana acamar menos, o mesmo acontecendo quando o solo é de baixa umidade natural.
- toda situação em que há a possibilidade de ocorrer o acamamento no primeiro corte, quando for possível deve-se fazer o plantio antecipado no período do meio da safra em diante, para que a produtividade do primeiro corte não seja alta para não aumentar a possibilidade de acamamento.

Quando o acamamento dos colmos não puder ser evitado, a colheita é de cana integral e a colhedeira terá que beneficiar todo o colmo tendo que retirar a palha pelos extratores. Para que a boa limpeza seja garantida a velocidade da máquina deve ser menor que em cana despontada, os facões picadores não podem estar quebrados e os extratores devem trabalhar com a rotação ideal para não jogar cana fora. Quando a colheita é nestas condições será mais difícil evitar o pisoteio na faixa das linhas de cana, pois se a cana está acamada para todos os lados não é possível a orientação do tráfego. O corte de base terá que ser na superfície do terreno, portanto não haverá o toco das canas para orientar o tráfego do transbordo. Sendo esta condição de trabalho, poderá rastelar a palha da linha de cana em seguida à passada da colhedeira antes do transbordo, para ficar visível onde estão as linhas das touceiras de cana.

Tratos culturais

  • Para a aplicação dos herbicidas na cana soca em cana queimada e na linha da cana crua quando há o afastamento da palha para a entrelinha maior, e outras operações, a bitola do trator que aplica os produtos também deve ter aproximadamente 190 cm para transitar no meio da entrelinha dos sulcos duplos
  • Ter tratores com rodagem alta, para que permita a realização de algum trato cultural com a cana em final de perfilhamento ou até maior;
  • O cultivo da cana planta será realizado no final da fase do perfilhamento se haverá colheita mecanizada já no primeiro corte, sendo feito o cultivo na entrelinha maior para iniciar o nivelamento do terreno. O ideal é usar trator mais alto que os convencionais, para que o cultivo seja realizado após o final do perfilhamento da cana planta. Sabe-se que no meio da linha dupla não será possível nivelar o terreno, porque a terra não passa no meio das canas da touceira, portanto se houver interesse, o complemento do nivelamento será feito na colheita com o corte de base da colhedeira afundado no terreno, para que as facas puxem a terra para o centro da faixa da soqueira. O nivelamento final dos sulcos ou até a formação da leira de terra poderá ser feito com o cultivo em seguida à colhedeira antes do transbordo passar. A outra forma de fazer o nivelamento é realizá-lo após a colheita manual de cana queimada com o cultivo da soqueira. Em condição de campo foi constado que o corte de base da linha dupla fica satisfatório se ainda houver um pequeno sulco.

Obs.: O sulco fundo no meio das touceiras somente será problema para a colheita mecanizada, quando a cana está acamada no sentido da linha e que fica dentro do sulco. Quando tal fato acontece, o ideal é que a colheita seja manual.

  • Na cana soca deve haver cultivo para a escarificação do terreno na entre linha maior, em área de cana colhida queimada ou mesmo em área de cana crua, se houver dificuldade para a infiltração da água da chuva no solo;
  • Faz-se necessário definir a vantagem de rastelar a palha da linha da cana afastando-a para a entrelinha maior, para facilitar a brotação da soqueira, ou para diminuir a incidência da cigarrinha da raiz, e também se deverá ser feito o controle das ervas daninhas onde tirou a palha. É possível que nas áreas que não há a palha da cana e que também não houve o pisoteio, e onde o colchão de palha ficou na entrelinha, não será necessário aplicar herbicida para o controle das ervas anuais quando não há alta infestação, pois a cana que ficará vigorosa irá abafar as ervas.
  • Havendo a distribuição de fosfato e calcário na superfície do terreno após as colheitas, o colchão de palha promoverá intensa “vida” no solo, que irá favorecer a descida dos nutrientes para a região da faixa de exploração das raízes.
  • A colheita já no primeiro corte com cana crua permitirá a aplicação de herbicida de residual curto após o plantio. Deve-se fazer 2 cultivos para nivelar o terreno com a aplicação do adubo de cobertura. Se houver alguma erva problema, ou seja, colonião, brachiária, grama seda ou cipó, deverá ser controlada com catação de aplicação manual na fase da cana em crescimento, usando herbicidas específicos para tal fim. Havendo outras ervas mais simples, não precisarão ser erradicadas até a colheita, pois posteriormente o colchão de palha irá cobri-las.

Colheita da cana

Colhedeira

  • Nos primeiros cortes da cana, a colheita poderá ser feita com as colhedeiras mais antigas que tem a frente mais estreita, com mais ou menos 85 cm de “garganta”, pois a faixa de canas ainda não é muito larga;
  • Para colher as linhas de cana com faixa muito larga, as colhedeiras usadas são de modelos mais recentes, que tem a frente mais larga, de aproximadamente 105 cm.
  • Colocar 2 direcionadores (bigode) de cana na frente do despontador para direcionar os colmos eretos para o desponte.
  • Sendo colmos eretos, poderá tirar as chapas opcionais ao lado do divisor de linha, que direcionam as canas acamadas para a frente, no sentido do deslocamento da colhedeira
  • Se ainda não houve o nivelamento total do terreno na linha da cana, poderá fazê-lo com as próprias facas do corte de base, como já se faz muitas vezes atualmente;
  • Colocar no divisor de linhas as rodinhas limitadoras de profundidade, para que a ponta da biqueira afunde no solo mais ou menos 2,0 cm, somente o necessário para levantar as canas acamadas;



Biqueira do divisor de linhas muito enterrada no terreno



Rodinha que limita a profundidade da ponta da biqueira do divisor de linhas (Austrália)



Biqueira passando acima das canas acamadas



Canas que não foram levantadas pela biqueira do divisor de linhas

  • A esteira da rodagem da colhedeira poderá ser mais estreita que a da rodagem do transbordo, para que as taliscas da esteira sempre se apóiem na superfície plana do terreno nos cortes seguintes;
  • Alongar o elevador para que os toletes de cana caiam no meio da carroceria do transporte;
  • Retirar o extrator secundário para deixar a máquina mais estável quando é terreno muito inclinado, pois irá diminuir o peso no final do elevador. Considerando-se que é significativamente menor a quantidade de palha que sai do extrator secundário em relação ao primário, mesmo não sendo feito o desponte da cana crua por estar acamada, conclui-se, portanto, que sendo cana queimada ereta ou acamada e ereta crua, não há necessidade de ter o extrator secundário. Em cana ereta haverá bom desponte com conseqüente diminuição no volume de palha, enquanto que em cana acamada queimada, o fogo já eliminou quase toda palha. Verifica-se no campo, que quando há palha em excesso na colheita de cana acamada crua para ser retirada pelo extrator primário, fica muito mais palha no meio da carga da cana picada do que a que foi tirada pelo extrator secundário. Portanto é possível deduzir que compensa ter até um pouco de palha na cana colhida por não ter o extrator secundário, para poder ter todos os outros benefícios que o sistema como um todo proporciona. Para melhorar a limpeza da palha em cana crua de grande volume que não houve o desponte, deve-se diminuir a velocidade da colhedeira.



Elevador alongado em plantio com espaçamento de 180 cm (referência de distância)



Colhedeira com o elevador alongado e sem o extrator secundário em área sulcada no espaçamento de 180 cm e transbordo com bitola de 168 cm

Obs.: Se a diretriz é colher cana acamada crua, para garantir a limpeza total da palha da cana picada deve-se ter na usina o sistema de ventilação para retirar a palha que sobrou do extrator primário, ou optar pela queima da palha antes da colheita.

  • Ao retirar o extrator secundário, deve-se colocar no final do elevador o aparador dos toletes que são lançados pela esteira para que não caiam fora da carga. Transferir para outra parte do final do elevador as peças do sistema hidráulico, que aciona a esteira de cana picada e o flap. Retirar a chapa onde estavam fixados anteriormente os componentes hidráulicos para diminuir o peso do elevador;
  • Colocar o babador de borracha no elevador da colhedeira, para direcionar para a carga os toletes que são arrastados pelas taliscas do elevador;
  • Em cana ereta que é a ideal para a colheita mecanizada, fazer o desponte na altura da primeira bainha agarrada, o que permitirá diminuir a quantidade de palha e palmito a serem retirados pelo extrator primário;
  • O operador deve ser rigoroso para posicionar a linha das canas a serem cortadas, exatamente na frente dos discos do corte de base;
  • A velocidade de trabalho da colhedeira deve ser compatível com o seu deslocamento, a ação do cortador de base antes de tombar a cana se estava ereta, o bom levante das canas acamadas e a boa limpeza da palha no extrator primário. Os operadores devem ser zelosos para que a máquina tenha o máximo de produtividade e quebrar o mínimo possível, pois quanto mais quebrar menos cana irá colher;
  • As facas do picador de cana devem estar afiadas e sem partes quebradas, para picar os toletes e a palha por completo. Se tal fato não acontecer a limpeza da palha no extrator ficará prejudicada e ficará muita palha de cana junto aos toletes na carga do transporte.

Transbordo

  • A bitola do transbordo deve ser com medida semelhante à da colhedeira, ou seja, de aproximadamente 190 cm;
  • O transbordo deve ter eixo tandem para dar mais estabilidade ao equipamento;
  • Quanto mais próxima de 330 cm for a altura do transbordo, melhor fica para posicionar o elevador que ficará menos inclinado, que permitirá ser menos alongado e será melhor para a estabilidade da colhedeira, sendo até possível pular somente uma linha de cana colhida entre a colhedeira e o transbordo.
  • O motorista ou tratorista do transbordo devem ser disciplinados e serem rigorosos, para posicionarem a linha da cana já cortada, no meio do caminhão ou do trator;



Trânsito sem disciplina no espaçamento de 180 cm mesmo sendo cana queimada

  • Sendo colheita com pisoteio zero e a faixa compactada estreita, poderá colher com 2 máquinas no mesmo talhão e liberar para que haja o pisoteio do transbordo para passar de uma entrelinha para a outra, quando vai iniciar a carga, ou sair do talhão após o carregamento.
  • Procedimentos para marcar a linha das soqueiras para orientar o transbordo, se a colheita é do colmo inteiro sem deixar o toco alto:
    • No 1º corte com colheita mecanizada, se ainda não tiver a leira de terra na linha da cana, a máquina poderá afundar os discos do corte de base para movimentar a terra para formar a leira sobre a soqueira;
    • Distribuir torta de filtro sobre a linha das touceiras logo após o corte e antes da passagem do transbordo, que servirá para fazer a leira antes da passagem da rodagem do transbordo;
    • Também já poderá adubar a soqueira em seguida ao corte da colhedeira, fazendo o cultivo que jogará a terra sobre o adubo e as touceiras, que servirá para fazer a leira de terra antes da passagem da rodagem do transbordo.
    • Se não há a intenção de fazer a leira de terra na linha da cana, poderá fazer o rastelamento da palha na linha das touceiras em seguida à operação da colhedeira, antes da passagem do transbordo.
  • Quando os sulcos do plantio formarem curvas, o ideal é ter caminhão transbordo sem carreta ou trator com uma carreta, para não desviar da entrelinha a rodagem no tráfego. O sistema plataforma Usina Colorado se presta bem para este sistema, pois permite ter caixa maior numa única composição de transbordagem.



Plataforma para transbordagem de cana picada modelo Colorado (Usina Caeté – Al)

 

Na usina

  • Ter o sistema de ventilação para retirar as palhas do meio da cana picada, que não foram retiradas pelo extrator primário da colhedeira;
  • Lavar a cana picada para retirar o que é possível da terra que fica grudada nos toletes. Posteriormente a água é usada para embebição da cana na moenda, sendo que antes é feita a decantação da areia em decantador especialmente projetado para este fim

Obs.: Para haver a programação na usina de moer cana com ótima qualidade, faz-se necessário lavar a cana picada com muita terra pelos seguintes motivos:

  • Nos toletes de cana ficam agregadas areia e argila, que são indesejáveis para o processo industrial;
  • Em cana acamada a raiz arrasta terra;
  • Quando arranca touceira a raiz arrasta terra;
  • No primeiro corte sem a leira completa na linha da cana, precisa completar a leira com o corte de base da colhedeira no momento da colheita, mas que irá sujar a cana com terra, mais ou menos como faz atualmente.

Exceção à regra

Se por algum motivo excepcional for necessário plantar a cana no eixo do espaçamento de aproximadamente 180 cm, a sulcação deverá ser de base larga com medidas semelhantes a 140 x 40 cm. A colhedeira e o transbordo deverão ter as bitolas de 180 cm, ou seja, todas as medidas devem ser semelhantes, para que o trânsito seja sempre no meio da entrelinha maior, que naturalmente será a faixa de solo que ficará compactada.

Motivos que podem induzir a adoção do espaçamento de aproximadamente 180 cm:
- alongar menos o elevador para melhorar a estabilidade da colhedeira;
- usar colhedeiras com bitola de aproximadamente 180 cm;
- usar colhedeira de garganta mais estreita;
- a opção de uma colhedeira de menor capacidade e menor potência;
- se for mais fácil a operação do plantio mecanizado.

Para o plantio manual com sulco base larga o sulcador e o cobridor são os seguintes:

 



Sulcador CAMPOFÉRTIL-DMB para sulco base larga



Sulco base larga (40 cm)



Sulco base larga (40 cm)



Cana distribuída no sulco base larga



Componentes especiais do cobridor CAMPOFÉRTIL-DMB no sulco base larga



Componentes especiais do cobridor CAMPOFÉRTIL-DMB para sulco base larga ou duplo



Disco do cobridor CAMPOFÉRTIL-DMB acima dos toletes para sulco base larga ou duplo

É possível que a plantadeira seja somente de uma linha dupla para que o implemento não fique muito largo, sendo que os pneus da plantadeira transitarão no meio da entre linha maior. Talvez o plantio mecanizado seja difícil de ser executado em área de terreno inclinado, porque os pneus da plantadeira podem deslizar e sair do alinhamento.

 



Plantio semi-mecanizado com sulco duplo para faixa larga de colmos (140 x 40 cm)



Plantio mecanizado com sulco duplo para faixa larga de colmos (140 x 40 cm) - Austrália

   
Faixa de cana no plantio com sulco base larga                 Linha dupla de cana (60 cm)   

Alguns estudos para definição

  • Pode-se estudar a possibilidade de colocar um cilindro lançador no final da esteira que permitirá ter menor extensão do elevador;
  • Ter caminhão transbordo sem a carreta, para colher as linhas curtas, que facilita as manobras.
  • Estudar a possibilidade de nem ter terraço quando o plantio é em nível em terreno muito inclinado, seguindo os seguintes procedimentos: no final do período da seca planta cana com sulco fundo numa faixa no meio do talhão. Depois semeia a leguminosa com sulco em nível, e após a colheita da leguminosa planta a cana na área, com a muda produzida na faixa já plantada, ou planta cana com sulcos retos em faixa reta no meio do talhão. Semeia a leguminosa com sulco em nível no restante do talhão e depois da colheita da leguminosa completa o plantio da cana com sulcação também reta completando o talhão.
  • Estudar a possibilidade de colocar esteira mais estreita na parte rodante da colhedeira para poder abrir mais a frente da máquina.
  • Quando os colmos estão acamados para cima, a colhedeira de pneu terá problema de estabilidade, pois o elevador ficará posicionado para baixo. Para diminuir este problema, é possível tirar o extrator secundário para melhorar a estabilidade. O dano da palha que irá a mais para a usina é menor que a cana perdida, se colher de cima para baixo com o elevador virado para cima. Além do que haverá maior dificuldade quanto ao embuchamento dos colmos na frente da máquina porque o operador se perde no alinhamento.
  • Se deixar para fazer a leira de terra após a colheita de cana queimada, terá que esperar a cana brotar. Neste intervalo de tempo o solo irá secar e dificultará o trabalho do cultivo. Poderá fazer o cultivo parcial na cana planta e depois concluir o trabalho no momento da colheita.
  • Estudar a possibilidade de fixar o elevador na colhedeira em ponto mais alto que o atual, para poder deixar o transbordo mais próximo da máquina, pulando somente uma linha de cana e não precisar alongar o elevador.
  • Se for possível fazer o sulco na faixa da rodagem da colhedeira, usando um disco fixado atrás da esteira ou do pneu da colhedeira, será muito útil para direcionar a ponta da biqueira do divisor de linha e que servirá de orientação para a rodagem do transbordo ou do transporte direto.

Uma proposta de Cana Integral Com Uso Múltiplo

É possível introduzir no processo de colheita mecanizada de cana crua a opção de aproveitar a ponta da cana para alimentação animal. Não há dúvida que as pontas da cana de um canavial de colmos eretos formam um imenso pasto, sendo que o único problema poderia ser a sua colheita em separado, mas a forma de proceder consta nesta proposta. Considera-se também que no sistema que está sendo proposto não haverá a terra na cana processada na indústria, portanto, é possível afirmar que a torta de filtro também não terá terra. Este resíduo da decantação do caldo da cana passa a ter reais qualidades bromatológicas para a alimentação animal.

Com a ampliação dos usos da cana, a atividade canavieira passa a ter a opção da Cana Integral Com Uso Múltiplo, que compreende os seguintes conceitos, procedimentos e características:

  • Sendo canavial formado por colmos de porte ereto, a ponta da cana é cortada em separado para ser aproveitada para a alimentação animal. Se não houver este aproveitamento, ela deverá ser picada e esparramada sobre a superfície do terreno para cobertura do mesmo.
  • Colher a cana deixando toco alto para que a palha seca não arraste terra junto aos toletes de cana. A palha seca e mais os toletes são transportados para a unidade industrial para serem processados em separado conforme a sua melhor utilidade. Os toletes e a palha são separados por ventilação antes da trituração do preparo. O toco da cana servirá de orientação na colheita para o tráfego das máquinas e veículos do transbordo, para que transitem no meio da entrelinha maior. O toco da cana é colhido em operação seguinte com colhedeira menor desenvolvida especialmente para este fim, e no exaustor a palha e a terra são separados dos toletes e distribuídas sobre a superfície do terreno. Na colheita do toco, o operador terá total visão para executar um bom corte de base, sem que haja abalo ou arranquio de soqueira. Os toletes de cana poderão ser lavados na usina para tirar a terra se houver em excesso.
  • Ter confinamento de bovinos para cria, recria ou engorda, alimentados com a ponta da cana e os subprodutos e resíduos da fabricação do açúcar e álcool. Estes subprodutos são a torta de filtro, o melaço muito esgotado, a levedura e a vinhaça “in natura” ou concentrada. O balanceamento da ração é completado com a adição de uréia, fubá de milho muito fino, enxofre, fosfato natural, calcário muito fino e outros minerais.
  • A palha seca da cana que estará sem terra e que foi separada dos toletes, é queimada na caldeira para produção de vapor.
  • O bagaço da cana de onde foi extraído o caldo, que estará sem terra, será queimado na caldeira para geração de vapor, ou será usado para outros fins industriais mais nobres.
  • Fazer o plantio direto da soja na renovação do canavial aproveitando a palha da cana como cobertura vegetal. A palha seca na colheita da soja poderá ser enfardada para posterior alimentação dos animais, podendo ser misturada com os produtos da cana. Também a soja colhida poderá ser usada na alimentação animal, principalmente quando o seu preço de mercado está muito baixo.
  • Havendo facilidade de irrigação ou fertirrigação, plantar a cana no ano todo antecipando um corte, para fazer o manejo estratégico de não ter cana com elevada produtividade agrícola, para que não haja o acamamento dos colmos, principalmente nos solos férteis com boa umidade natural.

 Fundamentos do projeto

O projeto proposto em questão compreende os seguintes fundamentos:

  • Aproveitamento total do colmo da cana preservando a boa qualidade da matéria prima para a produção de açúcar, álcool e vapor.
  • Atende o conceito que o ideal para a usina é ter matéria prima sem terra, sem palmito e sem folha verde ou seca, portanto terá bagaço, caldo e palha seca sem terra e caldo com elevado teor de sacarose.
  • Com a linha dupla e não tendo o pisoteio na faixa das linhas de cana, há o aumento na produtividade agrícola de aproximadamente 20%.
  • A variedade de cana com colmos de porte ereto por característica genética permite ter o desponte na altura ideal.
  • A variedade de cana com colmos eretos permite usar a ponta para alimentação animal.
  • Ao ter mais cana da linha dupla para ser beneficiada pela máquina, permite o seu deslocamento em baixa velocidade, o que é bom para o processo moto-mecanizado.
  • Dispensa o sistema de transbordagem.
  • Permite ter colhedeiras com menor potência.
  • Permite ter somente equipamentos com bitola rodoviária.
  • Permite a colheita mecanizada em áreas de cascalho ao se fazer o corte de toco alto da cana.

 Resumo da proposta do projeto

O projeto proposto resume-se nos seguintes itens:

  • Tem matéria prima sem terra, sem folha verde e sem o palmito da cana para a produção de açúcar e álcool.
  • Não tem perda de cana no corte de base e no extrator de palha.
  • Tem palha seca sem terra e sem palmito para queimar na caldeira.
  • Tem bagaço de fibra madura e sem terra para a caldeira e outros fins industriais.
  • Tem torta de filtro ideal para alimentação animal, sem terra e sem microrganismos contaminantes, ou produtos químicos anti-contaminantes.
  • Tem ponta de cana para alimentação animal ou cobertura do terreno.
  • Tem toco alto de cana para orientar o tráfego do transbordo no meio da entrelinha.
  • Tem o corte de base do pé do colmo com visão total pelo operador.
  • O toco do pé do colmo poderá ser lavado antes da moagem para tirar a terra.
  • A palha da cana que fica em contato com a terra é retirada pelo extrator após o corte do toco e espalhada pelo terreno.
  • A colheita de 2 linhas proporcionará mais cana para ser beneficiada, portanto a colhedeira irá trabalhar em baixa velocidade de deslocamento.
  • Não haverá transporte de folha verde e palmito (ponta da cana).
  • O grupo de colhedeiras para este modelo poderá ter menor potencia de motor, pois não haverá embuchamento na frente da máquina e o extrator de palha será dispensável.
  • A esteira rodante da colhedeira poderá ser mais estreita.
  • Sendo linha dupla de colmos, a maior produtividade agrícola potencial compensará a opção por variedade ereta com menor potencial.
  • Sendo variedade de porte ereto não haverá perda no corte de base.
  • Sendo variedade de porte ereto o desponte será da forma ideal para ter uma boa qualidade da matéria prima.
  • Para ter colmos eretos no primeiro corte as variedades para colheita no meio da safra são plantadas de junho a agosto, e as tardias de agosto a outubro. As variedades precoces são plantadas em fevereiro para colheita em abril e março e abril para colheita de abril a junho. Nos terrenos mais inclinados deve plantar de junho a agosto e irrigar com água e/ou vinhaça.
  • Na operação da colheita do toco poderá fazer concomitantemente a adubação química e a aplicação do herbicida.
  • Permite ter alimentação bovina com a mistura da ponta de cana, torta de filtro, levedura, vinhaça in natura ou concentrada, melaço muito esgotado, soja, sorgo, farelos, uréia, fubá de milho e resíduos da limpeza de grãos. Dar prioridade para alimentar animais de cria e recria, mas se optar por engorda dar preferência por abater os animais com aproximadamente 14@, ainda jovens para ter carne com menos gordura e de menor custo.
  • Produção de ração seca para comercialização composta por ponta de cana, torta de filtro, levedura, vinhaça e melaço muito esgotado.
  • Sendo o tráfego somente no meio da entrelinha, a renovação do canavial se dará sulcando para o plantio no mesmo local das linhas dos ciclos anteriores.
  • Sendo o eixo da sulcação com espaçamento semelhante à bitola rodoviária, permite o carregamento direto em caminhão e carreta sem necessitar de transbordo tracionado por trator com 2 ou 3 carretas, que torna a composição comprida e desalinha na curva. O sistema de composição curta permite a manobra no carreador.
  • Havendo zero de pisoteio, poderá ter 2 ou 3 colhedeiras colhendo juntas na mesma faixa. Para sair carregado haverá pisoteio somente em espaço curto dentro do talhão.
  • Na renovação do canavial plantar “na palha” a soja ou adubo verde, nas faixas das linhas da touceira de cana onde não houve o pisoteio na colheita. O trânsito nas entrelinhas deixará o terreno com sulcos que serão o indicativo para o tráfego dos tratores da sulcação, da plantadeira, do pulverizador e da colhedeira.
  • Será transportada para a unidade industrial a parte madura do colmo incluindo a palha seca correspondente, sem terra, sem palmito e sem a parte de folha verde.
  • Com o carregamento direto na carroceria do mesmo transporte para a usina, o balanço da carregadeira promove o adensamento da carga de toletes. Sendo elevador alongado permite ter caixa mais alta que permite ter maior volume de carga.

 Conclusão

A aplicação na íntegra do conteúdo deste projeto permitirá que a exploração da cultura da cana proporcione o máximo dos ganhos que são possíveis, quando se compara com a situação atual existente, que é de ter inúmeros problemas e de toda ordem, por estar colhendo mecanicamente em canaviais não bem preparados para esta modalidade de colheita.

O outro benefício do projeto tem a ver com a sustentabilidade ambiental. A cultura da cana passa a fazer parte de um processo produtivo, que engloba a própria cana, a soja e a pecuária, portanto a necessidade de expandir áreas para a produção de alimentos será menor, mas com mais renda. O outro benefício importante é a produção de cana sem danos ao meio ambiente quanto às queimadas e à conservação do solo.

As fotos da colheita da cana a seguir, demonstram que houve a total proteção da soqueira do canavial, pois o trânsito aconteceu com todas as rodagens passando exatamente na entrelinha maior que está entre as linhas duplas. Como conseqüência desta boa disciplina na colheita da cana, são mínimos os danos e as perdas no canavial, pelo fato de estar ocorrendo todas as condições ideais para a boa operação da colhedeira e do transbordo.



Vista ideal da colheita mecanizada de cana crua sem pisoteio (190 cm = 130 x 60)



Área colhida sem pisoteio e transbordo em caminhão (145 cm x 35 cm base larga =180 cm)



Área colhida sem pisoteio, sendo o eixo do espaçamento da sulcação de 190 cm
em linha dupla espaçadas de 60 cm, e o transbordo com bitola de 190 cm



José Alencar Magro